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edição de 11 de fevereiro de 2019

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we mkt mihailomilovanovic/iStock Os sapatos vermelhos de Dorothy “Alice: quanto tempo dura o eterno”? “Coelho: às vezes apenas um segundo”. Lewis Carroll Francisco alberto Madia de souza Demorou, mas conseguiu-se! Semanas atrás os admiradores e fãs de O Mágico de Oz comemoraram. Depois de 13 anos, o FBI, finalmente, conseguiu resgatar os sapatos vermelhos de Dorothy, utilizados por Judy Garland no filme. Sapatos esses, roubados em agosto de 2005, por um ladrão que entrou por uma janela do Museu Judy Garland, localizado em Grand Rapids, em Minnesota, USA. gresso à velha e boa casa, ao passado, e ao mundo de ontem... Parando o mundo para que descessem, ou até mesmo e idealmente, engatando uma ré no mundo e retornando aos anos 1930, 1940, 1950... Impossibilidade absoluta. Neste exato momento, em que começa o segundo tempo ou ato da história da humanidade, temos de nos decidir. Ou ser Perennails, ou, Ephemerals. Ephemerals é relaxar e gozar, como disse certa vez a ex- -senadora Marta Suplicy. Manifestações de todo o mundo pelo resgate do sapato vermelho, e pelo que representa neste exato momento de disrupção ampla, geral e irrestrita. Milhões de pessoas, em meio ao turbilhão que vivemos, adorariam ter um par de sapatos vermelhos com os poderes dos da Dorothy. Não sei se vocês se recordam, o filme começa em preto e branco e vem um tornado. Quando Dorothy acorda o filme já é colorido e, surpresa, tem em seus pés os sapatos vermelhos. No filme do emblemático ano de 1939 para o mundo – início da 2ª Grande Guerra, e da filmagem de três dos mais aclamados filmes de todos os tempos: O Magico de Oz, O Vento Levou, e, No Tempo das Diligências –, ao sair do furacão, Dorothy desperta na colorida e iluminada Terra de Oz. Em seus pés, os sapatos vermelhos. Que deveriam ser utilizados, diante de alguma emergência ou eventualidade. Era suficiente o bater por três vezes dos calcanhares dos pés com o sapatinho vermelho e dizer, em voz alta: “Não há lugar como nossa casa...”. O que milhões de pessoas gostariam de ter e fazer hoje, agora, já: sapatos vermelhos capazes de garantir um desejado re- Acreditar que viemos a este mundo para tirar proveito, nos divertir, exaurir todos os recursos, e na partida não nos esquecermos de apertar o botão F para todos os demais que permaneçam por aqui. Ser Perennials é preocupar-se com o legado. Com a obra construída e com a contribuição, por menor que seja, dada a humanidade. Não se trata de vaidade. Apenas de morrer e partir, verdadeiramente, em paz. O sapatinho vermelho de Dorothy felizmente foi resgatado, só existe um, e agora permanece trancado a 200 chaves no lugar de onde jamais deveria ter saído. No museu Judy Garland. Assim, trate de calçar um tênis confortável e corra atrás do seu legado. Tenho certeza que entre ser Ephemeral ou Perennial sua alternativa é despedir-se com a consciência tranquila não só de não ter detonado o que o mundo levou milênios para construir, como de ter dado, por menor que seja, a sua contribuição. Ter deixado um legado. E se quiser partir e despedir-se, Perennial, de forma mais coloquial, descontraída e inspiradora, o tênis, além de muito confortável, pode ser vermelho! Por que não! Francisco Alberto Madia de Souza é consultor de marketing famadia@madiamm.com.br 32 11 de fevereiro de 2019 - jornal propmark

opinião ValeryBrozhinsky/iStock Desalgoritme-se! Flávio Cordeiro Ao longo dos últimos anos fomos apresentados a essa nova “entidade” controladora de nossas vidas: Vossa Excelência, o algoritmo. Ele se transformou numa espécie de fatalidade, de destino. A promessa é mais ou menos a seguinte: entendendo quem você é, conhecendo seus hábitos e suas buscas, empresas, políticos e “movimentos” se tornam cada vez mais eficientes na tarefa de antecipar o seu desejo ou, no pior cenário, manipulá-lo. O subtexto é simples: você é uma pessoa risivelmente previsível. O algoritmo seria apenas o mapa da sua previsibilidade. Eu sei o que você fez no verão passado e aposto que saberei (dado que você não é lá uma pessoa muito surpreendente) o que pessoas “do seu tipo” vão fazer no verão seguinte. Darwin mostrou que dois lagartos idênticos, separados e vivendo em ilhas apartadas, tomam caminhos evolutivos completamente distintos para se adaptar a meios diferentes. Se substituirmos “ilha” por “bolha”, veremos que, tais como os lagartos de galápagos, tendemos a nos parecer cada vez mais com os répteis da nossa ilha e nos distinguir dos irmãos lagartos da ilha ao lado. Talvez passemos até a devorar o outrora nosso parente na primeira oportunidade. O problema com a previsibilidade é que ela nos torna criaturas desinteressantes. Os biomas mais ricos são os mais diversos. A Amazônia é mais rica do que o Saara em função de sua diversidade de fauna, flora, minerais, variações climáticas, rios etc. Restrito ao algoritmo, você aos poucos se transforma num deserto de ideias e passa representar fielmente o estereótipo da sua ilha: um lagarto típico. Regina Casé costuma dizer em suas palestras que é o terror dos algoritmos. Por quê? Porque suas “O algOritmO é ilha que esfria nOssO sangue” amizades e interesses abrangem leques de gente tão amplos que dificilmente se encontrariam para tomar um chope. Regina funciona como uma espécie de elo entre as ilhas. O algoritmo pira com Regina Casé porque ela não respeita a geografia bem demarcadinha das ilhas e das bolhas. Regina Casé é amazônica! Na década de 1970, o neurocientista Paul MacLean apresentou a teoria do cérebro dividido em três unidades, que seriam na verdade três camadas históricas. A camada mais recente seria o neocortex, responsável pelas funções executivas, pelo pensamento abstrato e pela inventividade; a camada intermediária seria o sistema límbico, o cérebro dos mamíferos, responsável pela afetividade; e a camada mais arcaica, o cérebro reptiliano (que compartilhamos com os répteis), responsável pelas respostas instintivas e emoções mais primárias: agressividade, falta de empatia, raiva e medo. Desconfio que aprisionados em nossas ilhas, nos comportemos cada vez mais como répteis, destilando emoções primárias e nos distanciando da capacidade de gerar as pontes afetivas dos mamíferos e embotando definitivamente a inventividade e capacidade de pensamento lógico do neocortex demasiadamente humano. Os lagartos ilhados tornam-se neofóbicos: toda diferença e novidade é encarada como ameaça. Na “bolha” agimos como animais de sangue frio. O algoritmo é ilha que esfria nosso sangue e desumaniza porque reforça o réptil em nós. Então, aproveitando que o ano apenas começa, sejamos mais amazônicos e menos desérticos. Sejamos mais humanos e menos répteis frios. Sejamos menos previsíveis e mais interessantes! Vamos enlouquecer os algoritmos com mais improbabilidades, experimentando mais, convivendo mais, destruindo muros, construindo pontes. Desalgoritme-se! Flávio Cordeiro é sócio e diretor de planejamento estratégico da Binder flavio@binder.com.br jornal propmark - 11 de fevereiro de 2019 33

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