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edição de 11 de março de 2019

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eyond the line

eyond the line Slphotography/iStock É a comunicação, estúpido! O governo atual achou que podia continuar tuitando para se comunicar com a população Alexis Thuller PAgliArini Desculpe a grosseria do título deste artigo, mas estou apenas parafraseando (com ligeira modificação) o dito por James Carville. Em 1992, Carville, estrategista de Bill Clinton, soltou essa pérola, que acabou virando uma máxima em campanhas presidenciais mundo afora: “É a economia, estúpido”: esta foi a frase célebre do estrategista. De forma grosseira e definitiva (como gostam os americanos), dizia que os resultados da eleição presidencial estão intrinsecamente ligados às condições econômicas do país. Nas eleições presidenciais, se a economia cresce durante o ano eleitoral, é mais provável que o presidente em exercício seja reeleito. Embora as condições brasileiras sejam bem diferentes, já que estamos em início de governo, a máxima cabe como uma luva. Afinal, os brasileiros esperam muita coisa do novo governo, mas o mais desejado mesmo é uma virada na economia, puxada por reformas e de uma postura mais liberal, deixando o estado mais leve, gerando mais empregos. Não se trata – agora – de pensar na reeleição, é claro, mas, isso sim, na validação do novo governo. Mas não é de economia que gostaria de tratar neste artigo. Quero aproveitar a força da frase e adequá-la a meu texto. É a comunicação, estúpido! Uso a frase não para me dirigir a alguém, especificamente, mas para reforçar o que tenho trazido para esta coluna repetidas vezes: a maior parte dos problemas é decorrente de uma má comunicação – ou da ausência dela. E o que temos visto no início claudicante deste governo é uma falta da devida atenção e valorização – para dizer o mínimo – à boa comunicação. Numa visão simplista e equivocada, o governo atual achou que podia continuar simplesmente tuitando para se comunicar com a população e todos os stakeholders de quem depende para dar andamento aos importantes projetos planejados pelo país. “Não é necessário gastar rios de dinheiro para se comunicar”, disse uma alta patente. “Empresa pública não precisa gastar com propaganda”, disse outro. “Vamos fazer in- -house”, disse um terceiro. Mas aí começaram a chegar as demandas por suporte às ações do governo. Veio o projeto de lei de facilitação de porte de armas e poucos entenderam muito bem. O projeto teve a proeza de desagradar quem era a favor e quem era contra. Falta de uma comunicação competente! E vieram as tão esperadas iniciativas centrais e estratégicas do novo governo: a reforma da Previdência e o projeto de lei anticrime. Para a primeira, o governo até que tentou “quebrar um galho”, fazendo uma comunicação caseira. (Veja você! Um assunto tão importante, tratado na base do improviso). Felizmente, existe gente com discernimento por lá: Paulo Guedes vetou a comunicação e exigiu um trabalho profissional. E aí foi preciso chamar às pressas uma agência competente para fazer o trabalho. O bom dessas tropeçadas é que, pouco a pouco, está caindo a ficha do governo de que fazer comunicação é muito mais do que enviar torpedos via redes sociais. Pode até ter funcionado para ajudar a eleger o atual presidente, mas agora o buraco é mais embaixo. Junto com a Quarta-Feira de Cinzas chega o fim da lua de mel do novo governo. Não será uma crise na Venezuela que embotará a visão dos ansiosos brasileiros. Está todo mundo esperando menos bravatas e arroubos e mais governo. Mais ações concretas e consistentes! E não dá para fazer isso sem um competente suporte de comunicação. O povo precisa saber, em detalhes, a importância das reformas e dos projetos. É preciso deixar claros os riscos e ameaças e como isso tudo pode afetar suas vidas. É necessário ainda engajar a população e torná-la aliada no processo de aprovação das mudanças. Desnecessário dizer que a comunicação tem um importante papel nesse processo. Não se vai para frente sem uma boa comunicação. É assim no ambiente privado ou público. E o governo pode ficar tranquilo: tem muita agência competente no Brasil para ajudar. Alexis Thuller Pagliarini é superintendente da Fenapro (Federação Nacional das Agências de Propaganda) alexis@fenapro.org.br 24 11 de março de 2019 - jornal propmark

inspiração pensar à frente Fotos: Divulgação Marcelo Colmerero “Se olhar para o passado é lembrar e olhar para o presente é refletir, olhar para o futuro é imaginar, e não tem nada mais inspirador do que imaginar” Conrado CotomáCio Especial para o ProPmarK futuro só existe nas nossas imaginações.” “O Não tem nada mais legal, para mim, do que pensar no futuro. Vou explicar o porquê. Quando você está pensando sobre o passado, acredito que não é bem um ato de pensar e sim de lembrar. E lembrar é visitar o que já foi construído. Não me entenda mal, amo história, mas olhar para o passado é como viajar para uma foto. É um momento estático. Incrível e triste ao mesmo tempo. Todas as infinitas possibilidades estão cristalizadas em um fato. Retrata quem você foi um dia e isso não pode ser mudado. O passado é legal, porém imutável, e isso me frustra um pouco. Mas estudar ele é fundamental para entender o presente e até mesmo o futuro. Já o presente, para mim, é sobre refletir. Ele está sendo construído com a gente, agora. Você constrói e reage ao presente ao mesmo tempo, e amo tudo que é contemporâneo. Ver as coisas nascendo, as coisas mudando na nossa frente, mas acredito que tudo se resume ao reflexo direto das nossas ações e dificilmente a história mostra isso. Temos muita noção do que nossas ações no presente vão fazer no futuro. O presente é dinâmico e isso com certeza me move. Mas, agora, o que me inspira mesmo é olhar para o futuro. Se olhar para o passado é lembrar e olhar para o presente é refletir, então olhar para o futuro é imaginar, e não tem nada mais inspirador do que imaginar. Há alguns anos, tenho seguido e estudado várias pessoas e lugares que abordam o tema, e isso se tornou um caminho sem volta em minha vida. Cada um desses lugares e cada um desses humanos me mostraram novas formas de olhar o futuro de forma organizada, que transformou o meu singelo e despretensioso ato de imaginar em um ato de planejar, projetar e construir o futuro. E não se trata de tentar prever o futuro, pois não existe um futuro para ser previsto. É uma ação impossível, e duvide de qualquer um que der garantias disso. Mas o futuro pode ser imaginado, planejado e construído. E para olhar para futuro não basta meramente fechar o olho e imaginar. Olhar para o futuro requer lentes. Foi o termo que aprendi durante o Friends of Tomorrow, curso de futurismo ministrado por Tiago Mattos, e com o pessoal da Aerolito que tem como propósito acelerar futuros desejáveis. Mapear as tendências de comportamento, os avanços tecnológicos e os impactos deles na saúde, educação e trabalho nos ajuda a ter a visão de “Futuros Possíveis”, entender as condições para esses futuros existirem para acelerar os futuros desejáveis e se antever aos indesejáveis e evitá- -los. Mas eles não são os únicos. Existem várias formas, escolas, teorias e métodos para enxergar o futuro. Gosto muito como a Daniela Klaiman usa comportamento humano, antropologia e tendências como lente para projetar o futuro e criar projetos, estudos e negócios que vão impactá-lo. Bem como Ligia Zuin e Beatrys Rodrigues, que usam ficção científica como lente para mapear o impacto de novas tecnologias na sociedade. Assim como essas pessoas, existem diversas empresas e instituições olhando para o futuro com diferentes lentes e vendo as possíveis rotas para um futuro mais inclusivo, positivo e melhor. Diferentemente do passado e do presente, que é um só, temos milhares de futuros e possibilidades. Vejo todo dia palestrantes, professores e gurus do futuro que começam os seus discursos com: “O mundo mudou...”, e isso é desesperador para mim, pois o mundo nunca parou de mudar, e quanto mais se estuda ele, mais óbvio isso fica. Ele só está mais rápido agora e nunca vai desacelerar. Ninguém foi dormir em um mundo e acordou em outro. São as pessoas que pararam de olhar para frente com as lentes certas e foram pegas de surpresa. É essa vibe que me inspira. Como Gustavo Nogueira da Torus disse: “é como ser um viajante do tempo”. Ir para o passado para entender um fato, ir para o futuro para projetar uma realidade e vir para o presente para construí-la. Conrado Cotomácio é diretor de criação da agência Jüssi jornal propmark - 11 de março de 2019 25

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