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edição de 11 de março de 2019

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SéRIE SUSTENTAbILIDADE

SéRIE SUSTENTAbILIDADE Reciclagem precisa fazer parte do propósito e do coração das marcas Ressignificação da prática mostra que fazer só a obrigação não serve mais; os projetos devem estar ligados à missão da empresa e inspirar JÉSSICA OLIVEIRA Montadora que faz bolsas? Empresa de bebidas que desenvolve florestas? Embalagens de alimentos que viram móveis? Parece sem sentido, mas é justamente o contrário. Cada um desses projetos inusitados tem um significado em sua essência que baseia não somente a ação, mas permeia de modo crescente o mindset das empresas. Não faltam exemplos de companhias que reaproveitam resíduos e sobras, o que faz bem para o ambiente e para o bolso. Um estudo do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) estimou em 2010 que o Brasil deixa de ganhar cerca de R$ 8 bilhões ao ano por não reaproveitar resíduos no próprio sistema produtivo da empresa ou com a venda para reciclagem. Em entrevistas, Gustavo Luedemann, um dos autores da pesquisa, disse que “a indústria tem grande interesse em receber esse material porque é mais barato do que o extraído da natureza”. Para chegar ao montante desperdiçado, o Ipea pesou recursos econômicos na produção, ativos ambientais, gastos com insumos que poderiam ser enxugados usando recicláveis, economia com água e energia elétrica, e como o uso dos recicláveis liberaria espaço em aterros. Ainda segundo o estudo, a reciclagem de apenas 12% do material disponível já geraria R$ 1,4 bi e R$ 3,3 bi anuais. Mas não são só vantagens econômicas que devem ser consideradas por empresas e governos. A razão é simples: não é apenas reciclar nem adianta fazer só a obrigação. A questão engloba imagem com stakeholders e de sobrevivência. INUSITADO E VITAL A Faber-Castell é uma das mais tradicionais e maiores fabricantes de lápis do mundo. Para seguir viva e relevante para a sociedade, ela tem os próprios programas de produção de madeira para a fabricação dos EcoLápis no Brasil e na Colômbia, garantindo o abastecimento sustentável do recurso. Do ponto de vista estratégico, esse é um dos principais desafios para o futuro da companhia, que precisa de 150 mil toneladas de madeira por ano. Há cerca de três décadas, uma área em Prata (MG) de aproximadamente 10 mil hecta- “o Brasil deixa de ganhar cerca de r$ 8 Bilhões ao ano por não reaproveitar resíduos” res de solo improdutivo, a dois mil km da floresta amazônica, foi transformada. A empresa plantou milhões de mudas de pinus caribaea, uma espécie de árvore que prospera no cerrado. No local, são cultivados cerca de 20 metros cúbicos de madeira por hora e as florestas abastecem a fábrica em São Carlos (SP), que produz dois bilhões de EcoLápis por ano. Eduardo Ruschel, diretor de marketing e inovação da Faber- -Castell, ressalta que a companhia criada em 1761 tem a consciência socioambiental como um dos pilares. Com a ajuda da tecnologia, esse conceito cada vez mais transcende os negócios para chegar à formação e conscientização das crianças. O case Floresta Sem Fim, criado pela David, ganhou um Leão de Ouro, na categoria Mobile, no 64º Cannes Lions, em 2017. “Nosso EcoLápis vem de madeira reflorestada. Esse conceito nem sempre era entendido pelas crianças, e tínhamos de passar isso de uma forma mais lúdica. E aí viemos com a cam- BsWei/iStock 44 11 de março de 2019 - jornal propmark

Fotos: Divulgação Desde 2010 a Associação Borda Viva usa as sobras de tecido de bancos e cintos produzidos pela Renault para fazer diversos itens; projeto ajuda dezenas de mulheres panha Floresta Sem Fim. Estamos estendendo isso para a sala de aula. Queremos passar esse conceito como um recurso para os professores darem às crianças e mostrar a importância do reflorestamento”, lembra. Outros exemplos que estão surgindo e se aperfeiçoando sinalizam como é essencial unir a “pequena” atitude da reciclagem à missão da empresa de forma profunda, permanente e indissociável. Esse processo exige ainda cultivar o propósito da companhia e tornar sua trajetória o mais sustentável e inofensiva possível ao planeta. Além de fabricar carros, a Renault também “faz” bolsas. Parece estranho, mas é o que ocorre desde 2010 com a Associação Borda Viva, que usa as sobras de tecido de bancos e cintos para fazer diversos itens. Cerca de 40 mulheres trabalham reaproveitando esses materiais e vendendo eles, gerando renda para a comunidade. Parte do merchandising vendido no Salão do Automóvel por exemplo foi feito por elas. Federico Goyret, diretor de marketing da montadora, explica que para a empresa o projeto é muito mais do que apenas reciclar. “Estamos alinhados a todas as normas ambientais, mas vamos além disso. A Renault está absolutamente comprometida em ajudar a sociedade da qual participa e mora. Eu não trabalharia em uma empresa que não fosse ecologicamente sustentável. Todos visam contribuir positivamente”, diz. “Queremos passar esse conceito como uma recurso para os professores darem às crianças e mostrar a importância do reflorestamento” Projeto AMA (Área de Mobilização Ambiental) com ações nas regiões onde tem fábricas. Além de ter plantado mais um milhão de mudas de árvores, a empresa mantém as espécies e desenvolve o PEA (Programa de Educação Ambiental) para crianças de escolas municipais. O projeto era feito com o Instituto Chico Mendes e hoje está com a consultoria ambiental Arcadis. Eliane Cassandre, gerente de marketing do Grupo Petrópolis tem bastante orgulho do AMA, que foi seu primeiro projeto na companhia. Ela explica que os principais objetivos incluem preservar a flora e reflorestar, conservar os recursos hídricos, reduzir os impactos negativos de resíduos na comunidade, e promover integração e educação ambiental. Já os benefícios reúnem a captação de milhares de toneladas de CO2 da atmosfera, a retenção de bilhões de litros de água por ano, a restauração e enriquecimento de milhões de metros quadrados de áreas de mata atlântica. Foram plantadas cerca de 48 mil árvores em Boituva (SP), 392 mil em Petrópolis (RJ), 537 mil em Teresópolis (RJ) 113,5 mil em Rondonópolis (MT), 26 mil em Alagoinhas (BA) e 20,2 mil em Itapissuma (PE). Além disso, até 2016 o PEA atendeu 3,6 mil estudantes e fez 482 trilhas ecológicas. “Não é só plantar. É cuidar e fazer a manutenção das mudas por dois anos até chegarem a fase adulta, acompanhar”, diz sobre a seriedade de um projeto assim. PONTUAL E EFICAZ Uma ação não precisa necessariamente ser constante para impactar positivamente o entorno. Atitudes pontuais e genuínas podem modificar consideravelmente o ambiente e as pessoas que o frequentam. Em São Paulo, o Allianz Parque transforma o plástico usado em eventos em sacos de lixos, e compra eles novamente. Já em AMA Também desde 2010, o Grupo Petrópolis, que detém marcas como Itaipava, TNT Energy Drink e Crystal, promove o Ação da Uber na Orla do Guaíba em Porto Alegre (RS) transformou resíduos plásticos em viseira gratuita para frequentadores jornal propmark - 11 de março de 2019 45

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