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edição de 12 de agosto de 2019

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we mkt Memedozaslan/iStock Para que serve um restaurante? “Não existe amor mais sincero do que aquele pela comida”. George Bernard Shaw Francisco alberto Madia de souza No dia 8 de outubro de 2018, nas revistas, uma notícia inusitada que causou perplexidade. O Esquina do Mocotó, na Vila Medeiros, aquele que foi eleito pela Veja SP o melhor restaurante de cozinha brasileira da cidade com cinco estrelas, que ganhou uma estrela do Guia Michelin, fechou suas portas. Segundo seu proprietário e chefe, Rodrigo Oliveira, era o restaurante certo no lugar errado. Diz, Rodrigo: “Nosso tíquete médio variava entre R$ 98 e R$ 108, muito barato comparado com outros cinco estrelas da cidade, mas caro para o lugar onde estávamos e para as pessoas do bairro...”. Consagrado e idolatrado pela clientela, mas o suficientemente longe e fora de mão para merecer uma frequência permanente. E, ao mesmo tempo, absolutamente inacessível à vizinhança. as cinco estrelas. Para elucidar o tema de vez, decidi ir atrás dos dicionários etimológicos. E, como não poderia deixar de ser, está tudo lá... “A palavra restaurante tem origem no latim restaurare, que significa restaurar. Torna-se popular a partir do século 18, em Paris, quando um empresário francês chamado Boulanger abre uma casa de comidas na cidade. Na fachada, o positioning statement da época, e, em latim, Venis Ad Me Omnes Qui Stomacho Laboratis Et Ego Resturabo Vos. Ou, em português, Vinde a mim os que têm o estômago vazio que eu os restaurarei...”. Portanto, a Esquina do Mocotó, sucesso total de crítica e público, mas inacessível à vizinhança, fechou suas portas. Complicado restaurar os que adoravam o restaurante Mocotó, mas vinham pouco pela distância, os que apesar de morar ao lado nem mesmo tentavam porque não cabia no bolso. Achei a notícia estranha e curiosa, e acabei encontrando uma entrevista de três meses anteriores ao fechamento, com o chefe Rodrigo Oliveira, quando ele revela sua intenção de fechar o Esquina do Mocotó. Na entrevista faz menção a um papo que teve com sua mulher, Adriana Salay, historiadora. Adriana perguntou ao Rodrigo, num determinado momento, qual o propósito de um restaurante. “Tentei responder e explicar da maneira mais bonita possível – diz ele –, mas ela interrompeu, dizendo, ‘tudo muito bonito só que o propósito de um restaurante é apenas o de fazer com que as pessoas saiam melhores do que entraram’, sejam restauradas...”. E aí caiu a ficha e Rodrigo decidiu mudar... Tomada a decisão, como é do regulamento da Vejinha e da premiação, Rodrigo Oliveira devolveu o diploma contendo Assim, não dava para cumprir o propósito de todos os restaurantes: restaurar! Em tempo, com o fechamento do Esquina do Mocotó, os admiradores da cozinha espetacular do Rodrigo Oliveira deliciam- -se hoje em plena Avenida Paulista. Conferindo o melhor acervo de fotografias do país, ótimas exposições, e o irmão caçula do saudoso Mocotó, o Balaio, no térreo do Instituto Moreira Salles, Avenida Paulista 2.424. Nos dias da semana abre ao meio dia em ponto. Meio dia e cinco todas as mesas ocupadas. Assim, agora, corrigido o erro de localização, Mocotó virou Balaio e cumpre gloriosamente sua missão de restaurar todos os seus frequentadores. Obrigado, Adriana, pelo toque que deu ao Rodrigo. É isso, amigos, restaurantes restauram. Se não restauram, não são restaurantes. Francisco Alberto Madia de Souza é consultor de marketing famadia@madiamm.com.br 28 12 de agosto de 2019 - jornal propmark

marketing & negócios helivideo/iStock Fluxos e refluxos - Parte 1 Os mercados e suas circunstâncias são organizados e se comportam ao sabor dos fluxos e contrafluxos Rafael Sampaio Um dos melhores livros sobre marketing que li foi Surfando as ondas do mercado, de Raimar Richers, professor-fundador da FGV, que tinha uma tese matadora: as relações das empresas com os mercados são dialéticas. Elas não podem ser totalmente contrárias a eles e devem aproveitar aos máximo as macro e microtendências naturais da economia. Mas, assim como os surfistas exímios, as empresas podem surfar com destreza nessas ondas do mercado e criar circunstâncias, até no contrafluxo, que lhes sejam favoráveis. Tenho pensado bastante nisso ao analisar o momento atual do mercado publicitário, seus últimos e possíveis próximos desdobramentos, principalmente em relação aos meios de comunicação e seus veículos. O que me fez lembrar de uma tese, que escrevi junto com Fernando Leite, no início dos anos 1980: a evolução da publicidade é determinada pela tecnologia utilizada, estrutura disponível e atuação comercial dos veículos, cabendo aos anunciantes e agências aproveitarem ao máximo suas possibilidades. Isso vem desde 1700 e poucos, quando os jornais da Fleet Street, em Londres, lançaram as raízes da dimensão industrial da publicidade. 300 anos depois ela está no auge da revolução motivada pelo digital, que vem transformando de forma profunda o resultado de mais de um século de imensa expansão econômica da área - pois, só nos Estados Unidos, passou de cerca de US$ 1,5 bilhão ao ano no início dos anos 1900 para perto de US$ 250 bilhões na entrada do século 21. O grande fluxo dominante atual tem sido o digital, que não apenas literalmente criou um novo meio como abalou severamente dois outros, tradicionais, o jornal e a revista, e incomodou os demais, inclusive o mais poderoso e utilizado de todos, a TV. Mas, apesar de seu domínio econômico, o digital ainda é um pós-adolescente desengonçado, cheio de problemas e oportunidades, entrando em sua fase de amadurecimento. O modelo econômico do digital não fez bem até para a maioria de seus players, tendo privilegiado alguns poucos e deixando um rastro de fracassos entre os próprios pares. Até pouco tempo não havia nem mesmo abalado a TV, até hoje o meio mais eficiente e mais eficaz da publicidade, que está perdendo seu rumo só agora, desde que em 2017 o digital lhe tomou o bastão deder do mercado. Quanto aos demais, os que souberam enfrentar a onda com mais sabedoria e inclusive aproveitar os recursos digitais para modernizar sua tecnologia e estrutura, bem como ajustar seu modelo comercial, safaram-se melhor. Vamos aos números: o jornal foi o grande perdedor, saindo de uma receita global de US$ 107,35 bilhões em 2000 para US$ 44,05 bi em 2018 (-59%) e com tendência de cair nos próximos dois anos; a revista saiu, nesse período, de US$ 47,46 bi para US$ 26,22 bi (-45%); o rádio, que soube se imiscuir no mundo digital, cresceu 13%, de US$ 30,38 bi para US$ 34,20 bi; a TV cresceu 61%, passando de US$ 116,33 bi para US$ 187,48 bi e apresenta uma tendência de perda (mas que ainda pode não acontecer, se ela souber aproveitar o contrafluxo, que parece se formar - tema para a segunda parte desta série). Quem soube surfar bem e incorporar de forma eficaz o digital foi o OOH, que cresceu 98% entre 2000 e 2018, passando de US$ 18,99 bi para US$ 37,66 bi e ainda com tendência de alta. E o cinema, que também surfou legal, pulou 398%, de US$ 0,87 bi para US$ 4,34 bi, e tem previsão de crescer 12% em 2020, empatando ou até superando o digital, que registrou um salto quântico de 2.774% no período, passando de US$ 7,90 bi para US$ 227,09 bilhões, mas que parece estar reduzindo seu empuxo de subida e deve vir a sofrer o contrafluxo nos próximos anos. Rafael Sampaio é consultor em propaganda rafaelsampaio103@gmail.com jornal propmark - 12 de agosto de 2019 29

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