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edição de 13 de maio de 2019

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mercado Liderança feminina agrega valor à gestão de negócios da publicidade Pesquisa mostra que empresas com mulher no comando atingem lucros superiores, em média, de 21%, em relação àquelas dirigidas por homens PAULO MACEDO Governança não tem gênero. Requer bom senso, postura, competência e efetividade. Mas o predomínio masculino ainda é indiscutível. Há resíduo secular de um tipo de hierarquia que embutiu comportamentos que não se aduanam com os novos tempos, são indesejáveis, incompatíveis e desnecessários. Porém, uma transformação está em vigor, fruto de luta, engajamento e persistência de mulheres que se tornaram benchmark para as novas gerações. O resultado é que aos poucos as corporações se rendem à mulher como líder de negócios e em atividades-chave nas suas operações. Elas trazem um tipo de gestão com olhar diferenciado, empreendedor, compartilhado, dinâmico e mais aderente à diversidade e às novas culturas. E por que não dizer mais humano? E menos voltado para a metodologia de competitividade que privilegia conflitos? A mulher também une intuitividade com coachs técnicos e uso de mentorias especializadas de tecnologia, branding, liderança, gestão e relacionamento. Porém, há um gap. Um estudo da consultoria McKinsey mostra que há apenas uma mulher em cargo de chefia para cada 10 homens. Recentemente, a Lacoste Brasil entregou a posição de CEO para a executiva Rachel Maia, uma das poucas negras com esse status no país. Mary Barra comanda a General Motors global desde 2014 e é a primeira mulher nessa função no universo das montadoras automotivas. É dela a visão de que a indústria deve focar nos quilômetros rodados por carro do que em unidades vendidas. Mercedes Erra, a E da BETC, da qual é fundadora, desde 2008 é presidente-executiva da rede Havas. Na publicidade, Christina Carvalho Pinto, fundadora e CEO do Grupo Full Jazz, é referência nacional. Foi a primeira mulher a ser presidente, e sócia, de uma rede do porte da Y&R no Brasil e América Latina onde amealhou 1.000% nas receitas, maior lucratividade entre todas as 260 operações da organização no mundo e prêmios. A brasileira Ann Newmann está há 30 anos como head de negócios da holding WPP na América Latina. A mesma Y&R Worldwide teve Ann Fudge como presidente entre 2003 e 2006. Hoje, há uma série de novas lideranças no Brasil. Christina Carvalho se mantém na ativa e faz reflexão pragmática sobre a mulher. “Na área de comunicação, o olhar Silvana Torres é presidente da Mark Up, agência especializada em marketing promocional feminino tem dupla relevância, pois as mulheres são o público-foco da maioria das marcas. E mesmo quando o consumidor- -foco é o homem, essa visão intuitiva, tão aguçada no olhar feminino, faz uma tremenda diferença.” Christina diz mais: “a mulher traz em si, por natureza, o acolhimento. Ainda que nunca tenha sido mãe, ela nasceu com um útero, capaz de acolher um novo ser humano até que ele esteja pronto para se revelar ao mundo. É uma configuração que mostra, no físico, algo maior: o poder de compartilhar o próprio ser com outro ser, alimentá- -lo com seus nutrientes. Então é, sim, mais fácil para a mulher compreender e aceitar a diversidade. Também aparece em muitas pesquisas sobre o mundo corporativo o fato de que a liderança feminina tende ao maior rigor com a ética. São tendências, não podemos generalizar. Há, felizmente, inúmeros homens que atuam, na liderança, com grande sensibilidade para a inclusão, o acolhimento do diferente e a transparência na gestão.” Janecy Nascimento, sócia e CEO da produtora de áudio Loud, ilustra seu raciocínio com dados da pesquisa Delivering through diversity, da McKinsey, “que fala que empresas com mulheres na liderança atingem lucros superiores, em média, de 21% em relação às empresas lideradas por homens. Fotos: Divulgação 40 13 de maio de 2019 - jornal propmark

Esse estudo mostra que, diferentemente do que muitos ainda pensam, ter uma mulher na liderança não é apenas uma obrigação social, conta. Pode ser uma receita de sucesso também. Quem ainda não percebeu está perdendo muito”, destaca Janecy. Ainda há barreiras? Ela responde: “A maior barreira é o olhar autocentrado que permite o machismo sem culpa. Se o sujeito não vê o erro, como rever sua postura? Especialmente quando compartilha em suas redes sociais textos feministas, garante a tranquilidade da sua consciência dormente. Não sabe que é machista. Não sabe o quanto é tóxico. E isso cabe à mulher também. Machista sem saber. É cultural - a mulher tende a subestimar suas capacidades e habilidades. Enquanto os homens sempre se sentiram merecedores do sucesso.” INSIGHTS PrecIoSoS A executiva Miriam Shirley, que foi copresidente da Publicis Brasil e atualmente lidera a Sapient AG2, onde está implantando um modelo disruptivo de gestão, cita o dado da Talenses e Insper de que as mulheres já ocupam 18% na posição de presidência em empresas no Brasil. “Apesar desse número estar aumentando, ainda precisamos lutar muito para que esse percentual seja ampliado”, resume Miriam. Ela acrescenta: “As mulheres à frente de seus negócios, ou na posição dederes, estão preparadas para lançar insights preciosos. É importante exercitar a empatia sempre, sobretudo quando nos organizamos para uma tomada de decisão importante. Outro ponto fundamental é estar cercada por um time em que confia. Eu, normalmente, levo em consideração um compilado da minha trajetória de vida para o meu cotidiano profissional e procuro equilibrar muito bem tudo isso”, argumenta Miriam. Olhar o todo e detalhes. É o binômio que Sheila Wakswaser, sócia e CFO da Lew’Lara\TBWA, utiliza para definir a mulher que ocupa cargos executivos. “Com essa capacidade, nós, mulheres, agregamos na gestão de negócio, seja em qualquer mercado de atuação.” Sheila diz ainda: “As mulheres são mais inclusivas em sua essência e tendem a ser mais abertas quanto à diversidade, por exemplo. Somos mais receptivas com todas as minorias, pois sofremos discriminação em tantas frentes na sociedade, que ser inclusiva passou a ser uma característica natural nossa. Nos dias de hoje, onde a inclusão e diversidade são assuntos tão discutidos nas empresas, ter mulheres líderes faz diferença. Quais são os principais desafios? Quebrar essa dominância masculina nos cargos mais altos na gestão nas empresas. A publicidade tem se mexido bastante neste quesito. Nós na Lew’Lara\TBWA, por exemplo, criamos o Recrutamento às Cegas para que padrões não sejam seguidos e a agência seja ainda mais diversa. Acho que esse é futuro.” O espaço da mulher cresce com seu DNA empreendedor. Mas algumas buscam exer- Christina Carvalho Pinto comanda o grupo Full Jaz “A mAior bArreirA é o olhAr AutocentrAdo que permite o mAchismo sem culpA” Miriam Shirley está na liderança da agência Sapient AG2 Sheila Wakswaser é sócia e CFO da Lew’Lara\TBWA cer todos os atributos de governança corporativa no próprio negócio. É o caso de Gabriela Hunnicutt, fundadora e CEO da agência Bold. “As agências estão se transformando completamente para se adaptar às novas demandas das marcas e, claro, das pessoas. Além disso, a nova geração de colaboradores exige uma outra forma de liderança. Não desmerecendo (jamais) os homens, acho que as mulheres estão mais preparadas para isso, pois são mais flexíveis, mais abertas a mudanças e, com certeza (pelo próprio histórico), mais abertas a discutir e implementar agendas de diversidade e inclusão”, observa Gabriela. Na avaliação da CEO da Bold não dá para medir transparência por gênero. “Sou adepta do capitalismo consciente e temos feito cada vez mais mudanças para implementar uma operação onde todos ganham (empre- Marcia Esteves é CEO e presidente da Grey Brasil Fotos: Divulgação jornal propmark - 13 de maio de 2019 41

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