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edição de 24 de dezembro de 2018

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digital Limitações

digital Limitações tecnológicas impedem amadurecimento do podcast Entrada forte do Spotify no segmento é considerada divisor de águas pelos players; nos EUA indústria é robusta dolgachov/iStock Claudia Penteado Enquanto em alguns mercados mundiais como os Estados Unidos o podcast se torna uma indústria de faturamento cada vez mais robusta, no Brasil, o setor ainda vive a sua adolescência. Entre os fatores que contribuíram para o desenvolvimento mais lento do segmento estão limitações tecnológicas, a falta de padronização e métricas para atrair anunciantes, certo amadorismo que ainda permeia a área, a pulverização de canais e a falta, até muito recentemente, de uma rede forte e única de distribuição que facilite o acesso. A recente entrada do Spotify no setor, posicionando-se como um player mais forte e divulgando alguns dos podcasts mais populares em uma campanha publicitária, é considerada como um “game changer” nessa indústria em expansão, que nasceu há mais de dez anos, mas só no último ano ganhou um ritmo de desenvolvimento mais acelerado. Segundo a PodPesquisa mais recente, o levantamento da Associação Brasileira de Podcaster (ABPOD) feito em parceria com a CBN, 25% dos brasileiros já ouvem podcasts. A maioria pelo celular (92,1%), sendo computador e som do carro outras alternativas comuns, usadas respectivamente por 25,6% e 16,5% dos ouvintes. A audiência é, em geral, mais qualificada: grande parte atua em tecnologia, e tem ensino superior completo. São Paulo e Rio de Janeiro concentram a maioria deles. O podcast é, na essência, uma rádio sob demanda que o ouvinte escolhe ouvir quando e onde quiser. Segundo especialistas, o engajamento que une o ouvinte a um podcast é sempre alto, pois demanda busca, escolha e, claro, disponibilidade de escuta. Este último elemento é, sem dúvida, algo raro no mundo da mídia. Roteirista do programa Zorra Total (Globo), Vinícius Antunes, que na podosfera é conhecido como Cacofonia e toca o podcast Minuto de Silêncio, fala que o mercado demorou a se desenvolver mais profissionalmente porque começou como um hobby para a maioria dos podcasters. Muitas pessoas iniciaram projetos para se entreter e entreter audiências, não para ganhar dinheiro. “Eu mesmo comecei há cinco anos porque adorava rádio, quando percebi que podia gravar o próprio rádio em casa, a minha rádio web. Montei minha ‘rádio’ e comecei a fazer com os amigos. Mas fiz questão de comprar equipamentos profissionais”, comenta. Aos poucos ele foi se tornando mais profissional, entrevistando pessoas que tinham histórias interessantes e acabou montando um escritório 100% financiado “A banda no Brasil sempre foi sofrida, não existe exatamente internet de alta velocidade por aqui” por ouvintes. “Fiz um podcast ao vivo e vendi todos os ingressos do teatro em um dia. Ali percebi que as pessoas podiam ajudar a financiar o podcast. Passamos a sustentar o escritório dessa forma”, conta. Para ele, que atua no segmento de humor, o que falta para a consolidação dessa indústria é que mais empresas jornalísticas e comunicadores criem podcasts. Como o podcast do Zorra, ideia recentemente aprovada pela Globo que em breve entrará no ar, produzido pela emissora - e por Antunes, naturalmente. “Essas iniciativas farão o formato decolar”, afirma. Deive Pazos, fundador do NerdCast, o podcast campeão de audiência no país, segundo a PodPesquisa, fala que há uma piada recorrente no meio: “este é o ano do podcast no Brasil”. Segundo ele, isso se fala há anos. Mas quem sabe 2018 não terá sido o ano do podcast? Pazos acredita que 22 24 de dezembro de 2018 - jornal propmark

diversos fatores foram determinantes para que o mercado no país ainda esteja vivendo uma espécie de adolescência. A falta de uma banda larga verdadeiramente de alta velocidade e algumas limitações tecnológicas são as principais. “Fazemos o NerdCast desde 2006, quando as pessoas tinham de baixá-lo para um pendrive ou CD para ouvir no carro, não dava para ouvir no streaming ou no Spotify. A banda no Brasil sempre foi sofrida, não existe exatamente internet de alta velocidade por aqui. Além disso, a tecnologia é adotada mais lentamente e chega mais cara no Brasil”, comenta. Ele também chama a atenção para outro fator: o hábito de pagar por conteúdo digital é muito recente - seja pela falta de costume ou pela pouca variedade de formas de pagamento para além do PayPal, por exemplo, durante muito tempo a única opção de pagamento digital no país. Hoje, o modelo dos podcasts patrocinados/apoiados por ouvintes já é mais comum. “Fomos os primeiros do mercado a encarar o podcast profissionalmente, como um trabalho. Construímos isso sendo criteriosos e colocando nosso podcast no ar todas as sextas- -feiras, fizesse chuva ou sol. Regularidade é fundamental. E fomos bater na porta das agências e dos clientes. Fizemos e continuamos fazendo um trabalho de evangelização, explicando o que é um podcast, as possibilidades de anunciar, demonstrando o engajamento do público”, explica. Depois de um bom tempo “passando o chapéu”, o NerdCast passou a atrair grandes anunciantes, como Microsoft, IBM, todos os estúdios de cinema, Netflix, Spotify, Coca-Cola, Bradesco, Banco do Brasil e Petrobras, entre outros. Segundo Pazos, a publicidade é hoje a principal fonte de renda da empresa Jovem Nerd, seguida de palestras, participação em eventos e o e- -commerce Nerdstore, que tem grande sucesso. “Podcasts têm dificuldades em atrair anunciantes porque disputam a verba de digital - que por sua vez disputa com todas as demais mídias. Em digital, disputamos com Facebook, Google, YouTube e grandes portais. Lutamos por pedaços dessa verba. Outro desafio é mostrar para os anunciantes que uma conta simples de CPM não reflete o ROI de um podcast. Diferentemente de um banner que passa em uma rolagem ou de uma peça gráfica estática, o podcaster falando de um produto, divulgando uma promoção, tem um resultado muito diferente”, observa. E, segundo ele, há um crivo rígido para trabalhar com anunciantes. “Quando não acreditamos em uma mensagem, simplesmente recusamos trabalhar com o anunciante. Só trabalhamos com marcas em que acreditamos”, diz. conversa Terceiro colocado no ranking da Pod- Pesquisa, o podcast Mamilos, do B9, nasceu, segundo a ex-publicitária Ju Wallauer (uma de suas criadoras ao lado de outra Deive Pazos e Alexandre Ottoni, sócios do NerdCast, atraem grandes anunciantes, como Microsoft e IBM “Com a chegada dos podcasts nas plataformas de streaming, essa barreira foi reduzida consideravelmente. Essa é uma grande oportunidade para toda a podosfera” ex-publicitária, Cris Bartis), do desejo de criar espaços de conversa sobre temas polêmicos distantes do ambiente polarizado e violento das redes sociais. “Mamilos nasceu mais preocupado em construir pontes do que provar pontos”, explica. Por muito tempo, Ju e Cris equilibraram Mamilos com suas carreiras em publicidade, tentando produzir pautas aprofundadas e cumprir prazos. Hoje conseguem se dedicar aos programas. Construíram uma audiência engajada, mas sofrem com a incipiência das métricas para atrair mais anunciantes. “Tudo o que conquistamos até hoje foi realizado graças ao talento, ao espírito empreendedor e à persistência dos criadores de conteúdo. Vejo como maiores desafios melhorar as métricas, atrair mais investimentos e melhorar a divulgação, Fotos: Divulgação para atrair mais público. Uma das grandes barreiras que tínhamos era a tecnológica, para ouvir podcast o público precisava baixar um app específico. Com a chegada dos podcasts nas plataformas de streaming, essa barreira foi reduzida consideravelmente. Essa é uma grande oportunidade para toda a podosfera”, comenta Ju. Cris Bartis conta que 2018 foi muito importante para a dupla do Mamilos, pois fizeram mais de 15 palestras em empresas, produziram conteúdo sob medida para grandes marcas - GE, Natura e Globosat - e receberam patrocínios de anunciantes como HBO e TIM, além de terem sido convidadas para escrever um livro. Mas a empresa busca diversas vias de financiamento para não depender apenas de publicidade. “Atacamos em outras frentes, como financiamento de ouvintes, busca de patrocínio de fundações, desenvolvimento de podcast sob medida para marcas e palestras. É com esse conjuntos de fontes de renda que acreditamos ser possível manter o negócio sustentável”, acredita. Ela faz uma crítica direta às agências sobre a ausência do podcast nos planos de mídia desenvolvidos para clientes. E acredita que a entrada do Spotify mais agressivamente no mercado fará toda a diferença. “Facilidade no acesso traz diversos novos ouvintes”, afirma. Tecnologia Hoje se tornou mais simples e fácil, do ponto de vista tecnológico, gravar e produzir podcasts. Há várias empresas especializadas em produzir podcasts para empresas. Uma delas é a PodCasting Brasil, criada em 2005, que nos primeiros anos teve entre seus sócios o consultor e especialista em inovação Walter Longo. jornal propmark - 24 de dezembro de 2018 23

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