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edição de 24 de dezembro de 2018

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mercado M_a_y_a/iStock Natal sinaliza otimismo e deve movimentar mais de R$ 53 bilhões Diferentes pesquisas indicam aumento de tíquete médio e destaque para setor de vestuário; comércio eletrônico chega bem após a Black Friday JÉSSICA OLIVEIRA Greve dos caminhoneiros. Copa do Mundo. Eleições. O ano de 2018 reuniu muitos fatos importantes, mas os três pontos tomaram conta de boa parte dos 12 meses no Brasil e afetaram todos os setores e datas cruciais para o comércio, para o bem e para o mal. Ainda assim, a expectativa do mercado é de crescimento e de otimismo. Uma pesquisa realizada pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) aponta que no Natal, mais de 110 milhões de brasileiros pretendem desembolsar, em média, R$ 116 por presente, comprando entre quatro e cinco itens. Dos que fizeram compras em 2017, 27% planejam gastar mais. Lojas de departamento, internet e shopping center são os principais locais de compra. As projeções permanecem no mesmo patamar do último ano e indicam uma injeção de cerca de R$ 53,5 bilhões na economia. O levantamento aponta que 72% dos brasileiros planejam comprar presentes para terceiros, número alto principalmente nas classes A e B (83%). 9% disseram que não vão presentear: 26% porque não gostam ou não têm o costume, 23% por estarem desempregados e 17% por não ter dinheiro. 19% ainda não se decidiram. Outros dados do CNDL e do SPC Brasil mostram que, para quatro em cada dez (43%) comerciantes, as vendas no período devem ser melhores do que em 2017. 32% acreditam que as vendas se manterão no mesmo patamar e só 9% esperam um desempenho pior. Para Roque Pellizzaro Junior, presidente do SPC Brasil, a entrada desses recursos na economia reforça a data como a mais aguardada para consumidores e comerciantes. “Embora o cenário econômico atual não esteja tão favorável, a expectativa positiva para o Natal dá indícios sobre a disposição dos brasileiros em consumir”, afirma. ROUPA NOVA PARA TODO MUNDO Diferentes pesquisas indicam o varejo de moda como setor bastante aquecido. Um dos estudos é do Mercado Livre e foi encomendado ao Ibope Conecta. A categoria de roupas lidera os itens mais considerados para compra, seguida por calçados e produtos de beleza. O hábito de dar presentes também aparece bem: 86% pretendem presentear na data, e a maioria (38%) escolheu quatro pessoas ou mais. O levantamento foi feito com mil pessoas em novembro, com ambos os sexos, maiores de 16 anos, das classes A, B e C, de todas as regiões do país. Outros dados indicam que os consumidores terão média de gastos geral de R$ 481, 10% acima do ano passado (R$ 441). Sobre o canal para compras, 55% pretendem comprar os presentes de Natal na internet, 41% no comércio de rua e 33% nos shoppings. Já em formas de pagamento, a maior parte (52%) vai usar o cartão de crédito e parcelar. A escolha é seguida por boleto bancário (16%), cartão de crédito à vista (14%), cartão de débito (7%), dinheiro (5%) e 6% não definiu. Cristina Farjallat, diretora de marketplace do Mercado Livre, vê um consumidor preparado e reforça a expectativa positiva para a data. “Muitos pretendem comprar quatro ou mais presentes. Podemos esperar um Natal aquecido para o varejo, tanto no meio físico quanto no digital, com tíquete médio mais elevado do que no ano passado”, afirma. centros de compras além da vendas Nos shoppings, a expectativa é faturar 8% a mais do que no ano passado. Pesquisa realizada pela Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers) também aponta otimismo do setor e prevê ticket médio de R$ 200 a R$ 300. Entre as categorias mais procuradas 40 24 de dezembro de 2018 - jornal propmark

estão vestuário, brinquedo, calçado, telefonia e perfumaria. Glauco Humai, presidente da Abrasce, afirma que o setor está entre os cinco que mais crescem, com desempenho significativo nos últimos três anos. Para ele, além da retomada econômica e estabilidade política, a previsão de alta é fruto do esforço dos empreendedores. Outro fator de peso em sua avaliação é que, acompanhando as tendências e hábitos do consumidor, os shoppings passaram a ofertar um mix que equilibra consumo, lazer, entretenimento e serviços. “Atualmente, o setor representa 2,7% do PIB brasileiro. Os empreendimentos são centros de compras, convivência e conveniência. São locais de encontro e onde as pessoas ‘resolvem a vida’. Os shoppings se preparam para operar em uma jornada multicanal e estar ainda mais próximos ao cliente”, declara. Humai também lembra que só no ano passado mais de R$ 50 bilhões foram injetados na economia do país, no fim do ano, impulsionados pela data comemorativa. O fluxo de visitantes em novembro cresceu cerca de 3%, em relação a 2017, e este mês permanece alto pela chegada da data. Outro ingrediente na balança são os novos modelos de negócios que se intensificam nesta época do ano, como flagships stores, pop ups e quiosques. Esse fator, aliado à comodidade e segurança, leva a uma expectativa de aumento de 5% no fluxo. “O setor é favorecido pela melhora da confiança dos consumidores, ampliação das concessões de crédito, inadimplência em patamares mais baixos e o aumento na geração das vagas de trabalho”, diz. Laureane Cavalcanti, diretora de marketing e comunicação da Sonae Sierra Brasil, que tem 10 empreendimentos, vê uma mudança no tom das campanhas do setor, que voltaram a ser mais promocionais. “Este ano, com greve no primeiro semestre e a Copa do Mundo, o fluxo de pessoas foi afetado. Fizemos ajustes. Tivemos campanha de liquidação em julho, por exemplo. Agora, mudamos a estratégia, saímos um pouco do tom mais emocional, e vimos oportunidade de voltar a investir em ações promocionais. Fizemos uma parceria com a Natura para um compre e ganhe, por exemplo, e em alguns shoppings temos sorteios de carros”, conta. Outra grande ação está na rede brMalls, que vai sortear 572 iPhones nos seus mais de 30 shoppings. Maria Fernanda Paoli, diretora de marketing da rede, afirma que a ideia da promoção partiu do interesse pela compra de celulares. Além das ações, a executiva defende uma boa decoração como atração para o consumidor. “O período de Natal é uma realização de sonhos, muito mais que o momento de compra somente. Oferecemos decorações de Natal lúdicas com personagens da Disney, que é parceiro exclusivo da brMalls em shopping centers. É um conjunto de atrações que fazem uma experiência completa para o consumidor em novembro e dezembro”, diz. DIRETO NO CORAÇÃO Já o estudo Tendências de Consumo para o Natal de 2018, desenvolvido pela GhFly com o Google, concluiu que data pode movimentar R$ 53,5 bilhões em vendas e o ticket médio crescerá 10% em relação ao ano de 2017, chegando a R$ 304. E boa parte está ligada a fatores emocionais. Na tradição dos Fotos: Divulgação Glauco Humai destaca ressignificação de shoppings “a expectativa positiva para o Natal dá indícios sobre a disposição dos brasileiros em consumir” presentes, por exemplo, os agraciados serão principalmente familiares: 60% escolheram pais e mães. Filhos e companheiros aparecem depois, com 33% cada, e irmãos com 32%. O setor de vestuário aparece novamente em destaque. Roupas, sapatos, acessórios ou joias/bijuterias lideram a preferência de 54% das pessoas. Em seguida estão brinquedos ou produtos infantis (34%), perfumes e/ou cosméticos (32%), eletrônicos ou eletrodomésticos (16%) e vale/cartão de presente (14%). Gustavo Hana, CEO da GhFly, ressalta ainda outro dado da pesquisa, relacionado à tecnologia: oito em cada dez consumidores se inspiram ou buscam o que presentear pela Laureane: “A Black Friday é um pré-Natal interessante” internet. Por isso, ele analisa que as campanhas online têm fundamental importância na decisão do consumidor. “As compras nesta época do ano têm características peculiares tendo em vista que os compradores estão presenteando alguém da família. A comunicação deve ter apelo emocional com foco em quem vai presentear”, afirma. Ele chama a atenção de que cerca de 19% das vendas ocorrem na véspera ou no dia. “Um planejamento estruturado entrega resultado mais eficiente, ainda mais pelo amadurecimento das campanhas digitais, mas ainda dá tempo de impactar e acelerar as vendas”, acrescenta. As lembranças também têm grande influência. O estudo A Magia do Natal, realizado com mil pessoas pela MindMiners, ressalta que o período é um dos favoritos dos brasileiros. 75% dos participantes afirmam gostar da data e, quando pensam na infância, o percentual sobe para 88%. Em relação aos presentes, 34% dos entrevistados sempre compram mimos na data, e 56% afirmam que o fazem de vez em quando. Já as primeiras marcas que lembram quando o assunto é Natal são Bauducco, Coca-Cola e Sadia. BLACK FRIDAY E NATAL DE MÃOS DADAS O comércio eletrônico segue crescendo e deve movimentar R$ 9,4 bi (12% a mais que a mesma data de 2017), segundo a ABComm, que representa as lojas virtuais no país. Cerca de 31 milhões de pedidos devem ter sido feitos até 22 de dezembro, com tíquete médio de R$ 296. Os itens mais procurados incluem produtos de informática, eletrônicos, celulares, moda, acessórios, casa e decoração. A ABComm avalia ainda que parte das vendas do período de Natal foi realizada na Black Friday. Mauricio Salvador, presidente da entidade, explica que 30% do total movimentado no período foi de consumidores antecipando a data e cerca de R$ 876 milhões em vendas foram sobrepostas. Em 2017, foi 26%; e em 2016, 20%. Na visão do profissional, o fato desse percentual da Black Friday canibalizar as vendas de Natal não é negativo. Pelo contrário: mostra maior maturidade do consumidor em achar ofertas na internet e antecipar as compras para não ter surpresa com entregas e atrasos. “Percebemos uma retomada na confiança do consumidor no ambiente econômico do país, que se reflete no varejo. As pessoas vêm adotando a Black Friday como uma data importante para fazer compras com descontos relevantes e estão se planejando melhor para fazer as compras de Natal no comércio eletrônico. Esperamos que no próximo ano esse percentual deva subir mais”, afirma. Laureane, da Sonae, concorda. “A Black Friday mexe com os shoppings, é um pré-Natal muito interessante”, comenta. Uma das pedras no caminho de todo esse otimismo continua sendo a inadimplência. Estima-se que mais de 62 milhões de brasileiros estão com o CPF restrito para fazer compras a prazo ou contratar crédito. Segundo dados apurados pela CNDL e pelo SPC Brasil, a quantidade de inadimplentes cresceu 4,22% em outubro na comparação com o mesmo mês 2017. Os principais motivos da negativação de CPFs no país são o crediário (65%), o cartão de crédito (63%) e o empréstimo pessoal em bancos ou financeiras (61%). Apesar de tudo isso, o varejo está ansioso e pronto para a chegada do bom velhinho. jornal propmark - 24 de dezembro de 2018 41

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