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edição de 3 de dezembro de 2018

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STORYTELLER GMVozd/iStock Brindes de Natal A Sadia mandava às pessoas mais importantes um peru congelado. Recebê-lo era, no mínimo, uma prova de prestígio LuLa Vieira Não estou reclamando nem insinuando nada. Mas cada vez menos as empresas estão distribuindo brindes de Natal para seus clientes. Não estou falando de propinas de milhares de reais, mas de bobagens tipo canetinhas e agendas de papel. Ou até mesmo panetones, perfuminhos ou caixas de chocolate. Bobagens que eram enviadas geralmente agradecendo o bom relacionamento durante o ano. A Sadia, por exemplo, mandava às pessoas mais importantes um peru congelado. Recebê-lo era, no mínimo, uma prova de prestígio. Exatamente sobre o peru da Sadia, eu me lembrei de uma história que envolve o Walter Zagari e um peru. Uma molecagem sofisticadíssima que coloca o Walter na categoria de um dos meus ídolos. Quando eu crescer quero ser parecido, se a mim me for dado talento e imaginação. Foi assim: o Walter era diretor do SBT e estava no estacionamento da Vila Guilherme, juntamente com o Guilherme Stoliar, seu chefe, quando chegou um portador da Sadia com o tradicional brinde de Natal da empresa, o magnífico peru congelado. Eram dois perus nas mãos do rapaz. Um para o Walter e o outro para o Dalto Machado, da Bandeirantes. Devia ter sido engano de logística, pois é natural que os perus do SBT fossem entregues todos ao mesmo tempo. Mas o Walter achou que era uma excelente oportunidade de armar uma brincadeira. Além do que achou uma profunda injustiça o peru dele ter chegado antes que o do Guilherme, que afinal era chefe. Sem que Stoliar percebesse, Walter conseguiu provar para o rapaz da Sadia que era primo do Dalto e estava indo exatamente para a casa dele, dessa forma poderia entregar o peru, poupando o rapaz dessa viagem até o Morumbi. Escondeu no bolso o cartão assinado pelo Milton Ivanov, presidente da Sadia, desejando Feliz Natal para o Dalto e entregou solenemente o peru para o Guilherme Stoliar que, distraído, não percebeu a manobra. Até aí tudo bem, Walter ganhou seu peru, Guilherme o dele e ninguém jamais iria ficar sabendo que o Dalto não teria o seu, já que ninguém iria imaginar que um diretor do SBT seria capaz de desviar o peru alheio. Só que o Walter não ficou satisfeito com meia sacanagem. Achou que poderia melhorar, tornar a coisa mais sofisticada, digamos assim. Dia seguinte foi ao mercado (o que não se faz por uma putaria!), comprou um peru vivo, colocou num engradado e mandou entregar no escritório do Dalto, acompanhado do cartão original assinado pelo Ivanov. Para melhorar, providenciou que a entrega chegasse à tardinha, quase que no fim do expediente, o que significou que o peru chegou depois que o Dalto havia saído e teve de ser hospedado no banheiro do escritório. Claro que passou a noite grugulhando (obrigado Houaiss!), para desespero de todos os vizinhos. Dia seguinte, ao chegar no trabalho, Dalto achou muito estranho que a Sadia, cuja especialidade é exatamente transformar peru vivo em peru congelado, tivesse lhe enviado como presente a matéria–prima. Na Bandeirantes teve gente sugerindo um milagre de Natal, ou até mesmo uma ideia promocional para provar que o peru da Sadia era fresco mesmo. No meio de profundas discussões, a secretaria resolveu telefonar para Sadia para esclarecer. Agora vocês vejam a surpresa do departamento de marketing da Sadia quando descobriu que o peru, saído da fábrica devidamente morto, congelado e temperado, estava vivo e aprontando um esporro na Bandeirantes. O entregador foi chamado e garantiu que os dois perus tinham sido entregues depenados, gelados e quietos, não havendo nenhuma possibilidade de engano. Já tinha gente se benzendo e querendo chamar um padre quando, prosseguindo nas investigações, se soube que o peru do Dalto não foi entregue nas mãos dele, mas pelo primo dele, um senhor muito distinto que é do SBT. Aí o Milton Ivanov descobriu o culpado. Mas não teve alternativa: teve de mandar retirar o peru vivo, que a esta altura já tinha nome e era uma atração no chiqueiro armado no banheiro da Bandeirantes, e trocou por um irmão dele, em estado pré-forno, como deve ser um presente decente. Lula Vieira é publicitário, diretor do Grupo Mesa e da Approach Comunicação, radialista, escritor, editor e professor lulavieira@grupomesa.com.br 32 3 de dezembro de 2018 - jornal propmark

produtoras Vetor Zero se concentra no craft das animações e ganha reconhecimento Conhecida por trabalhos em desenhos, empresa agora busca espaço em outros formatos, como realidade virtual e desenvolvimento de apps Paulo Macedo Lançada há três anos e já com um portfólio de 6o produções, a Vetor Zero Filmes quer consolidar a qualidade do craft das execuções em animação que deram origem à produtora há cerca de 30 anos. O sócio e diretor de negócios Alberto Lopes enfatiza que esse diferencial é que vai continuar impulsionando o grupo e é elemento-chave na percepção do branding que conquistou no mercado. Lopes foi o jurado da competição Film Craft do Cannes Lions 2018 e a indicação do festival, nas suas palavras, é um indicador de que a busca pela excelência não é casual. E não envolve apenas a produção de conteúdos com a técnica de animação e comerciais, como os que fez recentemente para a montadora Nissan e a Margarina Qualy, mas também séries, branded content, cocriação de textos e, por meio da divisão Lab, está habilitada a conduzir projetos de experiências imersivas com realidade virtual e desenvolvimento de aplicativos. Com o Lab já conquistou Leões no Festival de Cannes com VR Vaccine, para a Ogilvy e seu cliente Hermes Pardini; e Floresta sem fim, criação da David para a Faber-Castell. Mas se busca espaço em outras especialidades, a animação continua tendo o maior volume de share no negócio. Em 2018, passou a realizar vinhetas para datas comemorativas da Rede Globo, entre as quais Mães e Namorados, e a sedimentação dos projetos internacionais. Por exemplo, para a rede de supermercados angolana Candando, sob encomenda da agência Bron, produziu o comercial Reis da brincadeira, com técnica 3D e inspiração no modelo Pixar. “A Vetor Zero é uma startup de tecnologia que começou no fim de 1980 com as novidades da computação gráfica. Nos anos 1990, com a vinda da indústria toy, passou a contar histórias com essa técnica. A Pixar foi fundamental para toda a indústria. No ano 2000 lançamos a butique Lobo Filmes, com o frescor do motion design. Hoje, percebemos que há oportunidades em todas as técnicas, sempre com a ideia de mostrar nossa raíz de tecnologia, mas sempre com olhar para as marcas”, explicou Lopes. O conjunto da obra é a referência para trabalhos como a produção Caminhos, criação da Crispin Porter + Boguski para o uísque Johnnie Walker. “Foi a “A Vetor zero é umA stArtup de tecnologiA que começou no fim de 1980 com As noVidAdes dA computAção gráficA” Fotos: Divulgação No alto, produção da Vetor Zero para a rede angola Candando; à esq., trabalho da inédita animação do uísque Johnnie Walker; e acima o sócio Alberto Lopes primeira vez que o caminhador foi configurado em animação”, celebra Lopes. O mercado internacional garantiu à produtora desempenho extra neste ano e vai influenciar o seu balanço financeiro. A parceria com a TBWA Paris garante a produção de filmes globais com franquias de cinema como Hotel Transilvânia, Animal Jam e Super Mario Bros., todas para o McLanche Feliz. Para a ONG Day One e em parceria com a BBDO de Nova York conduziu a produção Sunshine. A ação Best of the seas, para a Scott’s, foi encomendada pela Grey Singapura. jornal propmark - 3 de dezembro de 2018 33

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