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edição de 8 de julho de 2019

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we MkT

we MkT PhonlamainPhoto/iStock Trump e o Mc “Dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola e picles, num pão com gergelim...”. Francisco alberto Madia de souza Dentre os acontecimentos que marcaram 2018, Trump e os campeões. Uma mesa de jantar cuidadosamente arrumada e exclusivamente de fast-food. Que Donald Trump ofereceu aos jogadores que venceram o “College Football Playoff National Championship”, os estudantes da universidade de Clemson. Em verdade, o jantar deveria ter sido realizado numa quinta-feira, mas, devido à falta de funcionários pela paralização do governo - 24 dias completos -, o evento foi sendo adiado e não dava para esperar mais. Trump brigava com o Congresso exigindo a aprovação de um orçamento que contemplava a construção de um absurdo muro na fronteira com o México, que os congressistas americanos recusavam-se a dar sinal verde para tamanha bobagem. Assim, sem receber seus salários porque o orçamento não fora aprovado, os funcionários da Casa Branca pararam de trabalhar. E, diante do impasse, McDonald’s para os campeões. E ainda fritas e pizzas. Empolgado, Trump anunciou: “Nós temos pizzas, temos 300 Big Macs, e quilos e quilos de batatas fritas, nossas comidas favoritas... tenho certeza que não vai sobrar nada!”. Como é do conhecimento de alguns de vocês, num dos espaços da matriz de Branding do MadiaMundoMarketing, ferramenta de construção, fortalecimento e sustentação de marcas, e em formato de colmeia, existe um favo, específico, aquele espaço hexagonal, reservado a um público da maior importância que denominamos Angels. Aqueles clientes que adoram nossas empresas, nossos produtos e serviços, nossa equipe de colaboradores, e não param de falar de e sobre nossos predicados, méritos e virtudes. Um cuidado especialíssimo tem de ser garantido a esse público. Vale ouro. Além de cliente, é Angel, disseminador e apóstolo de nossos préstimos, competências e qualidades. Merecem um carinho especial. Precisamos abastecê-los com informação de qualidade; sempre. Mas existem, também, os Devils. Pessoas que você jamais gostaria que se apaixonassem por sua empresa, mas que se sentem atraídos e você terá de aprender a conviver com eles. Exemplos? Sadam Hussein era apaixonado por Doritos e Cheetos, e pelo Café Pelé. E, mesmo depois de preso e condenado à morte, continuava falando sobre as suas marcas do coração. Uma das mais famosas playmates de Playboy, que tinha um site de pornografia que batia recordes de audiência, exibindo e chacoalhando seus descomunais seios, não parava de falar de seu restaurante do coração, o Oliver Gardens, cujo posicionamento é... “O lugar da família, onde a família se encontra, celebra e se alimenta...” E agora, um verdadeiro ogro, Donald Trump, não se cansa de declarar à imprensa que só se alimenta com Big Mac porque é apaixonado pelo sanduíche e tem medo de ser sabotado por algum alimento preparado na própria cozinha da Casa Branca. Era tudo o que o Mc não queria dentro de sua política suicida e ridícula que é tentar reposicionar-se como empresa de alimentação saudável e de qualidade... logo o Mc, o maior provedor de fast e junk food do planeta. O Mac, enquanto negócio, causou e é, disparado, o líder e referência mundial em fast-food; e, assim, as declarações de Trump daquela noite seriam abençoadas coroando toda uma trajetória. Trump seria um Angel. Mas como o Mac vive a maior esquizofrenia de toda a sua história, uma parcela expressiva de seus dirigentes considera Trump como Devil, Diabo, e perde a oportunidade de capitalizar sobre a paixão do ogro. Enquanto isso, a concorrência deita e rola... Tudo o que o Mc deveria fazer é aceitar os conselhos de Chico Buarque de Hollanda: “Se você crê em Deus encaminhe pros céus uma prece. E agradeça ao Senhor você tem o amor que merece...”. Mas o Mc continua insistindo em ser o que jamais foi e nunca será! Como canta Chico, em outra música de sua autoria. Francisco Alberto Madia de Souza é consultor de marketing famadia@madiamm.com.br 28 8 de julho de 2019 - jornal propmark

STORYTELLER ValentijnTempels/iStock Senta que o tigre é manso Durante uma filmagem da Esso, o tigre tinha fugido, abandonado a vida artística LuLa Vieira Você está num restaurante em Santa Tereza, no Rio de Janeiro, na terceira caipirinha, vendo o mar lá em baixo, o perfil das montanhas e pensando que, seja lá como for, não existe cidade mais bonita no mundo. As pessoas são lindas, como se pode observar aqui mesmo no restaurante. Aquela moreninha lá no fundo, as duas louras perto da palmeira, a de vestidinho azul atrás do tigre. Atrás do tigre?! Putaqueopariu! Tem um tigre andando no restaurante! Eu não bebi tanto assim! Esta porra deste tigre já almoçou? “Tem um tigre nesta merda!” Foi assim que um dos fregueses descobriu que, durante uma filmagem da Esso, o tigre tinha fugido, abandonado a vida artística e provavelmente resolvera virar garçom. Isso muito antigamente, no tempo que o Daruiz, hoje diretor da Band no Rio de Janeiro, trabalhava na Esso. O estúdio era em Santa Tereza e foi no bairro que o tigre resolveu gozar a liberdade. Não se sabe se pela vista ou pelo cheiro da comida, entrou num restaurante. Era um sábado e a casa estava cheia. Os mais sóbrios saíram correndo, muitos prometeram a si mesmos deixar de beber e um pai achou que era uma atração da casa para crianças e por pouco não foi comido, já que a mãe pulou pela varanda, com o filho no colo, e aterrissou sã e salva numa saliência logo abaixo. O treinador pedia aos gritos que ninguém fizesse mal ao tigre, como se alguém pudesse fazê-lo. Note-se que a história é velha e naquela época malfeitor dos morros cariocas andava armado de no máximo um trezoitão, que faz cosquinha num gato que pesa toneladas, acostumado a comer um boi de café da manhã. Naquele tempo não havia armamento que pudesse enfrentar tigres. O treinador, além de um chicote barulhento, tinha uma espingarda com injeção de calmantes que punham o bichão para dormir em segundos. Pela zoada que provocou no restaurante foi fácil achar o bicho, que nem precisou da carga de remédios e se deixou dominar com facilidade e entrou na jaula. Não existiam celulares e com todo mundo naturalmente em pânico, não deu para registrar a cena, para que Daruiz pudesse provar que chegou tarde em casa por estar atrás de um tigre fujão, a melhor desculpa jamais usada para se chegar domingo quase de manhã todo amarfanhado. Como se não bastasse, algum tempo depois a Esso participou da Feira do Carreteiro, em Guaratinguetá, tendo como principal atração de seu stand, quem? O tigre! Como essa festa é para a família, os expositores procuram atender a todo mundo, especialmente as crianças, pois quem agrada meus filhos, adoça minha boca. Vai daí que um outro expositor teve a brilhante ideia de disponibilizar para os filhos dos carreteiros (e carreteiras, claro) alguns burrinhos bastante mansos, que passeavam com as crianças por toda área da festa. Sem contar que havia um presépio montado com boizinhos, vaquinhas e cabras junto a José, Maria e Jesus. Tudo muito lindo, muito alegre, até que o tigre, símbolo de força, agilidade e poder, cumpriu seu papel e deu um urro. Daí o bicho, literalmente, pegou. Burros, vacas, cabritos, podem quase virar gente, mas sua natureza não se perde. Esses animais sabem que são caça desde os tempos imemoriais. Bastou o primeiro urro do tigre, até mesmo por fastio, que o resto da bicharada reconheceu o perigo. Tudo que tem pena, pelo, focinho ou bico ouviu o aviso de perigo vindo de gerações que a domesticação não conseguiu apagar da memória e se puseram a correr e voar, cada um manifestando medo em sua linguagem, numa algaravia de enlouquecer. Claro que à horda dos bichos, seguiram-se crianças, pais e mães, que, mesmo sem saber exatamente do que estavam fugindo, corriam de um lado para outro. O serviço de alto-falante berrava o mais inútil de todos os comandos: “calma minha gente!”. Jamais, em toda história, uma multidão diante desse apelo se aquietou. O locutor, sem saber o que dizer, foi definitivo: “foi apenas o tigre que urrou!” O que ele esperava? Que todo mundo pensasse “Ah! Bom!... foi só o tigre...”. Daí a correr o boato que o tigre já tinha comido umas dez criancinhas foi um pulo. Resultado: a mais inesquecível festa jamais realizada. Lula Vieira é publicitário, diretor do Grupo Mesa e da Approach Comunicação, radialista, escritor, editor e professor lulavieira.luvi@gmail.com jornal propmark - 8 de julho de 2019 29

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